DADOS HISTÓRICOS - ILHA DO FOGO

ILHA DO FOGO

O documento mais antigo que se conhece e refere a Ilha do Fogo é a Carta Régia de 3 de Dezembro de 1460, que doou ao Infante D. Fernando as ilhas do Atlântico até então identificadas: "... Sam Jacobo (Santiago) e Fellipe (Fogo) (por se terem achado no dia daqueles Santos - 1º de Maio - tomaram o nome deles) e da Ylha dellas Mayas (Maio) e da Ylha de Sam Cristovam (Boa Vista) e da Ylha Lana (Sal)...".

1460-1470 - Primeiros povoadores da Ilha de S.Filipe. A ilha começou a ser explorada por moradores de Santiago (europeus naturais de Portugal, Itália, Espanha,…) e por africanos e escravos trazidos da Costa da Guiné. A Ilha do Fogo foi a segunda ilha de Cabo Verde a ser povoada.

1480 - Fala-se da edificação do segundo templo paroquial em Cabo Verde, dedicado a São Filipe, na ilha do Fogo. A capela/igreja de São Filipe, assim como as primeiras habitações foram edificadas no lugar onde hoje fica o cemitério de baixo.

1500 - Erupção vulcânica, a primeira de que se tem notícia escrita.

1504 -O mais antigo documento do século XVI respeitante ao Fogo tem a data de 24/07/1504. Trata-se de um contrato de arrendamento. O que quer dizer que o Fogo já albergava, no seu interior, um núcleo populacional, económica e socialmente organizado. Aparece pela primeira vez, no documento, a mudança do nome de São Filipe para Fogo.

" (...) A Ilha do Fogo se chama de Fogo porque em meio della há uma serra mui alta mais que nenhuma outra ilha destas, na qual serra sempre arde fogo, que parece a olhos vistos. E em certos tempos do ano ferve (...) Esta ilha é povoada de gente. Aqui não há casa de pedra e cal nem de madeira, salvo de pedra em sosso. Há nesta ilha grande criação de cabras. Agoas tem poucas e salobras de que a gente bebe. Nasce aqui muito algodão (...)" Valentim Fernandes (escrito entre 1505 e 1510)

1510 / 1513) - Criação da capitania da Ilha do Fogo. O primeiro capitão-donatário foi Fernão Gomes.

1513-08-04 - António de Espindola, morador na Ilha do Fogo, nomeado almoxarife dessa ilha uma vez que o seu antecessor perdeu o cargo porque fora nomeado havia mais de 6 anos e desde essa altura que não tomou posse nem serviu o dito ofício

1515 - Já se faz referência aos "juizes" da Ilha do Fogo, o que significaria que já existia uma Câmara.

1522-03-05 - Título Carta do rei para o almoxarife da ilha do Fogo sobre os ornamentos da igreja da dita ilha.

1528 A capitania do Fogo foi entregue em regime de donatário ao Conde de Penela. Mercê da capitania do Fogo a D.João de Meneses de Vasconcelos, Conde de Penela

1530 Duarte Fernandes inicia as suas funções no cargo de feitor dos algodões da ilha do Fogo

1532-05-22 - Título Alvará de mercê a Jorge Correia, cavaleiro da casa, de feitor do trato dos algodões na ilha do Fogo por 3 anos, com 30.000 réis de ordenado.

1532 - 06 - Simão Lopes de Almeida - 1º Capitão Mor e Ouvidor "gozando os mesmos mesmos poderes que os Capitães de Santhiago, que tinham por suas doações e para a sua governação e defesa"

1533 - Criação da Diocese de S.Tiago de Cabo Verde. A Igreja esteve presente desde o nascimento de Cabo Verde e cooperou na formação sócio-religiosa do seu povo. Acompanhou o progressivo povoamento das ilhas de Santiago e do Fogo.

1536 - Pêro de Almeida inicia as suas funções no cargo de feitor dos algodões da ilha do Fogo

1538-11-29 - Alvará de D. João III concedendo licença ao Conde de Penela, primo do rei e vedor da sua fazenda, capião da ilha do Fogo, que de 1539 a 1541 possa armar na ilha do Fogo e de Santiago

1540-05-22 - TítuloCarta de Luís Brandão a Sua Majestade em que lhe dá conta que está servindo os oficios de escrivão do almoxarifado e Alfãndega da ilha do Fogo.

1541 - Construção da capela de Pombal na freguesia de São Lourenço do Pico, ilha de Fogo

1544 - Pero Fernandes como capitão e ouvidor da ilha do Fogo juntamente com os traslados de uma escritura e procuração e alvará por onde foi empossado da dita capitania e ouvidoria da dita ilha"

1544 - Francsico Barboza - Juiz dos orphaos e provedor dos defuntos da Ilha do Fogo

1556 Já existe a freguesia/paróquia de S.Lourenço. A igreja paroquial nasceu com a transformação de uma ermida, que existia no morgado de Pombal e da qual foi transladada a lápide funerária actualmente inserida na igreja paroquial: "Aqui jaz Ana Serana - mulher que foi de D. Fernandes - faleceu 1538".

1572 - Num documento relativo à sustentação do clero, sabe-se que S.Filipe tinha 150 fogos e S.Lourenço 90 (que se pode avaliar em 2500 almas, sem contar os menores). Portanto, existiam já duas paróquias/freguesias na Ilha do Fogo.

1580 A Ilha do Fogo enfrenta Filipe II de Espanha. Através da tradição oral é comum ouvir-se que durante o domínio Filipino em Portugal, a Ilha do Fogo foi o único lugar onde a bandeira dos Filipes (de Castela-Espanha) nunca chegou a ser hasteada.

1593 Foi criada o cargo de "capitão-môr" no Fogo, por nomeação Regia.

Séc. XVI -Apresenta-se a Ilha do Fogo como grande produtora de algodão, com fabrico artesanal de panos, produção agrícola, gado, criação de cavalos... muitos navios estrangeiros por ali passavam... comércio activo, sobretudo com a Costa da Guiné, onde, em troca, adquiria-se mão-de-obra escrava para as lavouras.

1600 - Anterior a 1600 é a Irmandade de S.Filipe, que durou até 1800 e da qual talvez derivou o grupo dos "Reinados". Falam também os livros de um hospício e de um convento situado em "Afonso Gil de N. S. da Conceição". Perderam-se todos os vestígios, apagando as recordações históricas.

1609-1611 - Três anos de seca, muitas mortes pela fome, doenças, pragas, mortandade de gado, as árvores secaram...

1642-05-28 - Bartolomeu Vieira de Vasconcelos sobre o pagamento feito por Jerónimo Cavalcanti de Albuquerque

1657.04.23 - Nomeação de António da Fonseca Ornellas no cargo de capitão e sargento-mór da ilha do Fogo

1655 - Piratas holandeses, com conivência de alguns portugueses, saqueiam a vila de S.Filipe. " (...) O assaltou durou quatro dias. A população indefesa foi colhida completamente de surpresa. Foram aprisionadas várias mulheres e crianças e o próprio vigário teve a mesma sorte, sendo posteriormente resgatados a troco de muitas fazendas (dinheiro). Entretanto, quebraram e profanaram as imagens das igrejas, roubando-as de todo ouro e prata, ornamentos, sinos e tudo o mais que nelas havia (...) As tentativas feitas no sentido de ir buscar socorros a Santiago falharam (...) Os piratas inutilizaram ainda todas as peças de artilharia e levaram com eles toda a pólvora e munições existentes (...) Mesmo alguns livros de registo não fugiram à rapina dos salteadores (...)" Este saque foi demolidor. Trouxe imenso prejuízos à ilha. A vila de S.Filipe ficou numa situação miserável.

1667.09.29 - Nomeação de Christovam de Gouveia Miranda no cargo de capitão e sargento-mór da ilha do Fogo

1676 - Realização de obras de fortificação em São Filipe da ilha do Fogo

Séc. XVII - É neste século que começou o povoamento dos Mosteiros.

Séc. XVII - Abrandamento da economia, decadência, crise grave até à penúria. Conflitos com o poder central de Santiago, reivindicação de mais autonomia e acesso directo ao mercado.

1776 - Antonio Gomes Brandão capitão-Mor da ilha do Fogo.

1793 - Após várias outras tentativas, João Carlos Mendes de Rosado um rico comerciante e agricultor da Ilha do Fogo, que propõe povoar a Ilha de S.Vicente, levando consigo 20 casais e 50 escravos

1799 - Erupção vulcânica na ilha do Fogo

12/3/1804 - Lourenço José Barbosa, Capitão da Companhia das Milicias de Cabo Verde, e Capitão-Mor do Fogo, nomeado pelo Rei d. João VI.

1806 - Aforamento da Cova Figueira a João Gomes de Araújo. Inicio do povoamento com casais vindos da freguesia de Nossa Senhora de Ajuda, afectados pela erupção de 1799.

1824 - Antonio Jose Barbosa, Escrivão da Fazenda Real na Ilha do Fogo

1815 - Cova Figueira conta já 132 fogos, 703 habitantes. A sua igreja é dedicada à Santa Catarina.

1816 - Erupção vulcânica na ilha do Fogo

13.03.1824 - - Festas que se fizeram por motivo da Restauração da Monarquia realista.  Relação das festividades que se fizeram desde o dia 11 a 18 de Janeiro deste ano pelo Governador, e Cavalheiros da Ilha do Fogo de Cabo Verde, dedicadas ao plausível acontecimento de SS. MM. e AA. Estarem restituídos na posse de seus legítimos direitos (...). No dia 11... às 3 horas se reuniram outré vez no mesmo Quartel do Governador, e dali foram correr Cavalhadas, jogos de lança, alcancias, etc. (GL n.º 64, 15.03.1824).

1826 - Simão José Barbosa, Feitor da Ilha do Fogo

1840.06.16 - Criação da Escola Primária da Ilha do Fogo

1847.04.09 - Erupção vulcânica na ilha do Fogo

31/12/1850 - Simão José Barbosa, Director das Alfandegas do Fogo

1850 - Introdução da cultura da mancarra nas Ilhas de Cabo Verde por João Gomes Barbosa

1852.02.19 - Erupção vulcânica na ilha do Fogo

1854/5 - Surto de cólera no Fogo, trazido por um barco italiano, que fundeou na praia de S.Filipe. Da morabeza ao pavor da contaminação.

1853-1866 -Secas prolongadas e fomes, sentidas em todas as ilhas e muito fortemente no Fogo. Em 5 anos, a ilha perdeu 7000 almas, metade da sua população, devido à forte mortalidade e ainda a emigração.

1857.11.20  - Erupção vulcânica na ilha do Fogo

1861 - Início da construção da alfândega da ilha do Fogo

1864 -Extinção do regime de morgadio que existia desde do séc. XVI, (herança que se transmite de primogénito à primogénito e que não pode ser alienada). Francisco do Sacramento Monteiro (1853-1917) foi um dos últimos morgados do Fogo.

1878 - Fim da escravatura em Cabo Verde. Um Decreto de 1856 dava 20 anos de prazo para a abolição total da escravidão. Nessa altura, havia 1235 escravos na Ilha do Fogo (5168 escravos em todo o arquipélago, 5,8% da população).

1880 - Consta do relatório do ano de 1880, redigido pelo então administrador do Concelho do Fogo, João Baptista Vieira de Vasconcellos, que a Igreja de Nossa Senhora da Conceição se encontra em fase de acabamento. (B.O. nº 50/51 de 1880)

1896 - SIMÃO JOSÉ BARBOSA, Subdelegado do Procurador da República em S. Filipe

1899-1904 - Seca, fome e varíola.

1910 - ALFREDO JOSÉ BARBOSA, Administrador do concelho da ilha do Fogo

03/Out/1911 a 1916 - ADELINO JOSÉ BARBOSA, Administrador do concelho da ilha do Fogo

1914 - Inauguração da "Aguadinha", o reservatório de água que abastece a Vila de S.Filipe. Juntamente, existia um viveiro e um bebedouro (no lugar onde hoje se encontra a casa-cinema). O problema de abastecimento de água era agudo.

1917 - Foi desenterrada a Bandeira de S.Filipe pelo grupo recreativo Sete-Estrelas. Retomou-se o ritual das Festas.

1922 - 12 de Julho de 1922. Elevação da antiga Vila de S.Filipe à categoria de Cidade.

1923 FRANCISCO JOSÉ BARBOSA, presidente da Câmara Municipal do Concelho de S. Filipe, Fogo

1928 - Edificação da actual Câmara Municipal.

1941-1943 e 1947-1948 - Últimas grandes crises e fomes em Cabo Verde. No Fogo, a ilha mais castigada, perdeu entre 1940 e 1950, 6.200 habitantes, 27% da sua população.

1951 -Nova erupção vulcânica, após quase 100 anos de repouso.

1957 - Abertura da nova linha aérea para Mosteiros pelo Aero Clube de Cabo Verde, com o avião Dove, que podia transportar 9 passageiros. Criação da TACV em 1958. No seu voo inaugural para a pista de São Filipe, em 1959, o avião Dakota teve um acidente

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